MPT em São Paulo promove roda de conversa sobre saúde mental e inclusão da população LGBTQIAPN+
Evento teve como foco debater os estigmas e desafios enfrentados pelas pessoas LGBTQIAPN+ e compartilhar vivências sobre inclusão dessa população no mercado de trabalho
São Paulo, 02/07/2025 — Em alusão ao Mês do Orgulho LGBTQIA+, o Ministério Público do Trabalho em São Paulo (MPT-SP) promoveu, no dia 30/06, segunda-feira, uma roda de conversa, com o tema “Diversidade, Saúde Mental e Identidade de Gênero”, reunindo especialistas e ativistas em um espaço de escuta, aprendizado e troca de experiências.
O evento foi promovido pelo Comitê Regional de Equidade de Gênero, Raça e Diversidade do MPT em São Paulo e conduzido por sua presidente, a procuradora do Trabalho Emilie Margret Henriques Netto, como parte das ações afirmativas desenvolvidas pelo comitê ao longo do ano.
A roda de conversa contou com a participação de três convidados com trajetórias distintas, mas com intersecções em suas áreas de atuação: Carolina Freitas Alves, psicóloga formada pela USP, com atuação na saúde mental pública e privada, militante da diversidade sexual e de gênero; Jonathan Cruz (DJ Obá), artista negro e LGBTQIA+, conhecido por transformar pistas e palcos em espaços de resistência e celebração da diversidade; e Reynaldo Estevez, psiquiatra com especialização em psicofarmacologia e dependência química.
Ao abrir o evento, a procuradora do Trabalho Emilie Margret ressaltou a necessidade de cada vez mais as empresas privadas, órgãos públicos e sociedade em geral, abrirem espaços para esse debate. “Temos que falar sempre sobre diversidade. Só assim poderemos construir uma sociedade mais respeitosa e inclusiva.”
Iniciando os trabalhos, o Dr. Reynaldo Estevez fez uma apresentação sobre saúde mental e LGBTfobia sob a ótica psiquiátrica e humana, trazendo conceitos como homossexualidade x homossexualismo, identidade de gênero, e apresentando um quadro cronológico dos direitos da diversidade sexual e de gênero.
Defensor de uma psiquiatria acessível e livre de estigmas, Reynaldo lembrou que, até 2018, a transexualidade era considerada uma doença mental: “A transexualidade, o chamado “transtorno de identidade sexual” ou “transtorno de identidade de gênero”, saiu da lista de doenças ou distúrbios mentais com a publicação da 11ª edição do CID (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde). Essa alteração foi importante, mas a maior força de mudança vem de cada um de nós. Para quem você destina seu amor? Dê abertura para incluir homens gays, mulheres lésbicas ou pessoas trans no seu círculo social.
Aprofunde essas relações, demonstre interesse genuíno por suas histórias”, finalizou ele com essa provocação aos presentes.
A segunda apresentação foi de Carolina Freitas Alves, que falou sobre identidade de gênero, a maneira como cada pessoa se reconhece em relação ao seu gênero, independentemente do sexo atribuído no nascimento. Ela explica que a psicanálise contemporânea busca ampliar essa compreensão, reconhecendo a diversidade de experiências de gênero e a importância de contextos sociais e culturais na formação da identidade. “É importante diferenciar identidade de gênero, orientação sexual e expressão de gênero, assim podemos desmistificar ideias equivocadas e contribuir para a reflexão sobre a construção de uma sociedade onde todas as formas de existência sejam respeitadas e legitimadas. A identidade é como o rio. Ele se mexe, ele depende, ele muda através das pedras, ele muda com a cidade, com a chuva, com o calor, com o frio. Nossa identidade é imaginária. Uma coisa que reduz a nossa experiência”, conta Carolina Alves.
A conversa também abordou temas como a condição intersexo, a imposição de papéis de gênero desde a infância e os impactos da patologização de identidades trans.
O DJ Obá lembrou que a sociedade tem uma história fechada a respeito de uma pessoa desde sua infância e só reconhece a menina e o menino, e que essa ideia é prejudicial para a construção saudável do ser humano. “Normalizar a cor azul e a cor rosa como identificação para o sexo daquela criança, por exemplo, é assustador, adentro de casa, porque brinquedo é brinquedo, brincar é brincar.
Deixa a criança ser. Ah, mas menino não pode brincar de boneca, não pode mexer no cabelo da boneca... Deixa a criança sonhar, imaginar. [...] Falar sobre sexualidade é falar sobre deixar ser. Mais tarde essa criança se vê atraída por pessoas do mesmo sexo e não entende o que está acontecendo com ela. Ela sofre, se desestrutura, vive uma autopunição e desse lugar chega a doença mental”, conta Obá.
Ao final da atividade, os participantes da Roda de Conversa compartilharam relatos pessoais sobre como os temas abordados dialogam com suas vivências familiares e profissionais. Participaram da Roda de Conversa o procurador e as procuradora do Trabalho João Eduardo de Amorim, Elisa Brant e Silvana Valladares de Oliveira, servidores e servidoras do MPT em São Paulo.