Infraero terá que coibir trabalho infantil nos aeroportos

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A justiça do Trabalho atendeu a pedidos formulados pelo Ministério Público do Trabalho em São Paulo (MPT-SP) em ação civil pública e determinou, no dia 9 de junho, que Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) e o Município de São Paulo adotem providências emergenciais para coibir o trabalho infantil no aeroporto de Congonhas.

Segundo a decisão do juiz do Trabalho André Cremonesi, a Infraero deve, nos casos de flagrante de trabalho infantil nos aeroportos, acionar imediatamente a rede de proteção local, através do Conselho Tutelar, e identificar as pessoas que utilizaram os serviços das crianças, para que sejam orientadas e advertidas quanto à exploração do trabalho infantil. A medida, que abrange todos os aeroportos administrados pela Infraero, prevê também a criação de um centro de atendimento contra a violação de direitos de crianças e adolescentes ocorridas no interior do aeroporto.

A Infraero deverá também realizar campanha de combate ao trabalho infantil com foco na conscientização dos usuários dos aeroportos que administra. A empresa pública tem 48 horas para fixar cartazes em todos os pontos de circulação de usuários nos aeroportos com mensagem advertindo-os para que não consumam produtos e serviços oferecidos pelas crianças e adolescentes, bem como veicular mensagens no sistema de som dos locais.

No caso do aeroporto de Congonhas, o Município de São Paulo, deverá encaminhar, no prazo de 180 dias, proposta legislativa para a criação de conselhos tutelares, para tornar mais eficaz o atendimento em caso de violações dos direitos de crianças e adolescentes no entorno do aeroporto. Terá, ainda, que designar equipe formada por psicólogo, assistente social, assistente jurídico ou outros técnicos para atuar nas dependências do aeroporto. O objetivo é prestar atendimento às crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil ou outras violações de direitos. Outra obrigação do poder municipal será realizar busca das crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil no aeroporto de Congonhas e comprovar a inclusão delas e de suas famílias em programas de assistência social.

A pena pelo descumprimento das medidas exigidas é de 20 mil reais por dia de descumprimento e 200 mil reais por cada criança e adolescente flagrados trabalhando.

Inspeção – Uma inspeção realizada em 2013 por equipe formada por MPT, Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e Instituto Santa Lúcia identificou sete crianças oferecendo serviços de engraxate nas dependências do aeroporto. As crianças, com idades entre 8 e 17 anos, estavam trabalhando à noite (a inspeção foi realizada entre 19h e 21h30) e informaram à equipe que realizavam aquela atividade havia dois anos no local. A constatação veio a confirmar denúncias de trabalho infantil que já haviam sido feitas por outras entidades.

Antes de ajuizar ação civil pública, o MPT tentou um acordo de cooperação e, posteriormente, um termo de ajustamento de conduta com a Infraero e o Município de São Paulo para a realização de ações emergenciais para coibir o trabalho infantil. Não teve êxito.

Doenças - A procuradora do Trabalho Elisiane dos Santos ressaltou, na ação civil, que um dos maiores problemas do trabalho infantil são as doenças incomuns para a idade, como deformidades físicas e problemas musculares gerados pelo carregamento de peso, pelos movimentos repetitivos e ritmo de trabalho intenso a que os jovens estão submetidos. Eles também são afetados de forma psíquica em função dos conflitos com a comunidade aeroportuária e pela monotonia, entre outros fatores. Alguns dos resultados são desânimo, insociabilidade, abandono escolar.

Segundo Elisiane dos Santos, tanto a Infraero quanto a municipalidade são responsáveis pela adoção de medidas eficazes para coibir a exploração do trabalho infantil no local, como campanhas, orientações dos usuários, no caso da Infraero, e políticas sociais na região do entorno do aeroporto, no caso do Município.

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